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Astrologia e Cabala: Sefirot, zodíaco e astros

Explorar o encontro histórico entre a observação do céu, a mística judaica e a linguagem das correspondências.

A relação entre astrologia e Cabala desperta interesse há séculos. No entanto, falar de uma única «astrologia cabalística» seria enganador. A Cabala é uma tradição mística judaica diversa e a astrologia assumiu muitas formas ao longo da história.

A Cabala e as correspondências

A Cabala medieval desenvolveu-se especialmente na Provença e em Espanha entre os séculos XII e XIII. Os cabalistas procuraram compreender como o divino podia ser percebido através da criação. As dez Sefirot ocupam um lugar central e são geralmente descritas como emanações ou aspetos através dos quais o divino pode ser compreendido.

Esta linguagem de correspondências podia dialogar com a astrologia, que relacionava fenómenos celestes com significados terrestres. Algumas fontes sobre o misticismo judaico descrevem correspondências entre Sefirot e signos do zodíaco, mas essas relações não constituem uma doutrina universal de toda a Cabala.

O Sefer Yetzirah

Um texto muito mais antigo é fundamental: o Sefer Yetzirah, Livro da Formação. A sua datação continua a ser debatida e é anterior à Cabala medieval em sentido estrito. Apresenta uma cosmologia ligada às 22 letras hebraicas e às dez sefirot, além de divisões e correspondências astrológicas.

Não é simplesmente um manual de astrologia. O seu alcance inclui criação, linguagem, números e ordem cósmica. A sua influência sobre a mística judaica posterior foi, contudo, enorme.

Astrologia, destino e liberdade

As atitudes judaicas perante a astrologia nunca foram totalmente uniformes. Alguns pensadores e místicos medievais estudaram-na, enquanto outras correntes demonstraram reservas. Em certos textos, os astros podem surgir como canais de forças celestes sem se tornarem a autoridade final sobre o destino humano.

O zodíaco como linguagem simbólica

Sistemas modernos inspirados na Cabala por vezes relacionam o zodíaco com a Árvore das Sefirot. Essas associações podem ser interessantes simbolicamente, mas variam segundo escolas, autores e épocas. É importante distinguir as fontes judaicas antigas das sínteses esotéricas modernas.

O que podemos retirar desta história?

A ligação entre astrologia e Cabala é melhor entendida como uma história de correspondências do que como uma equação. Céu, números, letras e estruturas simbólicas ofereceram diferentes formas de pensar a ordem do universo e a relação entre o visível e o invisível.

Para a ORACLASTRA, esta distinção é essencial: a Cabala deve ser abordada como uma tradição religiosa e mística complexa, não apenas como uma ferramenta esotérica. A astrologia pode ser estudada como linguagem simbólica e cultural, sem transformar estas tradições em certezas científicas.


Fontes

  1. Kabbalah: Origins of a Spiritual Adventure — My Jewish Learning.
  2. Judaism and Astrology — My Jewish Learning.
  3. Sefer Yetzirah: The Book of Creation — My Jewish Learning.